segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Cristo existiu?

Durante minhas tortas caminhadas por este caminho (e ainda sou muito bebê dentro dele) eu comecei a por em cheque alguns conceitos que até aqui via sob outro prisma. Um deles versava sobre Cristo e a sua existência. Será que ele existe? Será que ele foi uma invencionice cristã? Será que foi mais uma vítima da deturpação?
Um dia, eu morava de favor na casa de uma pessoa e na sala dela existia uma foto de Cristo, pois a família era kardecista. Toda vez que eu olhava aquela foto, algo me incomodava. Não era só o fato de aparecer uma pessoa loira e de olhos azuis, mesmo sabendo que era um ser do deserto e mediterrâneo. Era mais!
Quando eu vivia com minha família, eu aprendia dois caminhos: um era de que ele era o filho de Deus aqui na Terra e outro de que era um louco. Estas duas visões se chocavam facilmente, mas eu ia levando.
Um dia, uma pessoa me contou que o namorado, que era arqueólogo e trabalhava na área do Oriente Médio, sempre dizia para ela que os arqueólogos ficavam perplexos por nunca terem encontrado uma única evidência da presença dele. Muito tempo depois encontraram uma tumba, mais uma, que dizem pertencer a ele.
Mas, sempre penso numa coisa que li num livro de J. J. Benítez: se os escribas dos templos judaicos anotavam tudo, porque nunca encontraram uma evidência clara da presença dele, mesmo que fosse para chamá-lo de louco ou herege ou coisa que valha. Sei que em algumas religiões e sociedades era comum apagar ou rasurar as marcas de um grupo de pessoas, de sacerdotes e governantes que eram contrários aos preceitos vigentes.
Bom, juntando tudo isto eu fiquei olhando para o quadro na parede e, de repente, eu comecei a pensar: este cara nunca existiu!
O pensamento foi recebido com um choque por mim, mas depois comecei a ir mais longe: se este cara nunca existiu, tudo o que pregam, tudo o que escrevem, falam e julgam em nome dele é mentira. Se isto fosse uma verdade, como ficaria a sociedade ocidental, tão baseada na teologia cristã? As pessoas enlouqueceriam, perderiam seu chão.
Porém, algo dentro de mim me deixava com a sensação cada vez mais forte de que ele era uma invenção e muito bem engendrada. Mas nunca encontrei uma prova disto, pelo menos até aquele dia. Nunca havia ouvido alguém falar isto em algum outro lugar, a não ser a citação do namorado da minha amiga.
Mas a partir daquele momento eu passei a não ter qualquer crença nele, porém não me interessa convencer ninguém se isto é ou não uma verdade. Foi o meu insight!
Bom, meses depois eu dei uma olhada em velhos e-mails que não tinha lido e que pertenciam a pessoas ligadas ao Thelema. Foi aí que li um e-mail que me surpreendeu:
Marcelo Ramos Motta: Carta A Um Maçon ( http://user.cyberlink.ch/~koenig/dplanet/motta/moma1.htm ). Esta carta é famosa. Só sei que me chocou ler ali o que eu havia depreendido sozinho.
Por estas e outras fico tentado a escrever que ele não existe, pelo menos não segundo a ótica cristã vigente. Pode ter sido um grupo de pessoas que pregaram algum tipo de filosofia de vida um pouco ousada para a época ou pode ser que se apoderaram de uma série de conceitos filosóficos vigentes para tentarem abafar algum tipo de visão espiritual que poderia ameaçar a ordem vigente. Levando em conta que a bíblia é um livro escrito a partir de partes escolhidas de diversos livros e tradições antigas, inclusive judaicas, não seria esta história mais uma tentativa de juntar partes de diversas tradições?
É a minha visão!
Dizem por aí que uma mentira muito repetida pode se tornar uma verdade!

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